TER UM CARRO ANTIGO OU CARRO NOVO? OLD CAR OR NEW CAR?

CARRO ANTIGO OU CARRO NOVO??                                                                                      Não queira ter uma relação com seu carrão cheio de botões, reboque cromado para não puxar nada, flex powers, trios elétricos, fly by wire, e ABS igual à que eu tenho com os meus. Você vai perder. Meus carros têm nome, eu converso com eles e entendo o que se passa no seu coração. Ninguém olha para você nesse esquife filmado com vidros escuros como o breu. Para mim, todos olham e acenam.
 
Do not want to have a relationship with his big car full of buttons, chrome trailer not to pull anything, flex powers, electric trios, fly by wire, equal to the ABS and I have mine. You will lose. My cars have names, I talk with them and understand what goes on in your heart. Nobody looks at you in that casket with tinted windows shot as the pitch. For me, all look and wave.

 

Se o seu carrão pifar no meio da rua, ou numa estrada no fim do mundo, ninguém vai parar para te ajudar. E se alguém se aproximar, você vai achar que é ladrão. Se um dos meus estancar no meio da avenida mais movimentada de São Paulo, vem um monte de gente para empurrar. E é o pai de um que teve um igual ao meu, o tio do outro que dirigia um táxi idêntico, a avó de um terceiro que ainda tem o seu guardado na garagem que só usa para ir à feira, e se eu não souber o que fazer para ele pegar de novo, alguém saberá.

 

 If your big car goes down in the street or a road at the end of the world, no one will stop to help you. And if someone approaches you will find that is a thief. If one of my stop in the middle of the busiest street of Sao Paulo, has a lot of people to push. And is the father of one who had a like mine, the other uncle who ran a taxi identical, the grandmother of a third still have stored in your garage that only use to go to the fair, and if I do not know to do to get it again, someone will know.

 

Meu kit de sobrevivência nas ruas é barato. Um joguinho de ferramentas, desses que se compram em camelôs, com uma chave de fenda, um alicate, algumas chaves de boca. Um frasco com gasolina para jogar no carburador de vez em quando, um galão de água para refrescar o radiador. Oh, que coisa mais primitiva, dirá você.

 

My survival kit is cheap on the streets. A game of tools, those that can be bought from street vendors, with a screwdriver, pliers, some wrenches. A bottle with gasoline in the carburetor to play from time to time, a gallon of water to cool the radiator. Oh, my earliest you may say.

 

OK. Tenha uma pane no seu carrão eletrônico para ver o que acontece. Nem tente abrir o capô. Você não sabe o que tem lá dentro. Cuidado, ele pode te engolir. Torça para o celular estar com o sinal pleno e chame um guincho, a seguradora, o papa. Sente e espere. Seu carrão só vai funcionar de novo quando conectarem um laptop nele. E prepare o talão de cheques.

 

OK. Have a big car crash on your electronics to see what happens. Or attempt to open the hood. You do not know what’s inside. Beware, it can swallow you. Twist the phone to be with the full signal and call a tow truck, the insurer, the Pope. Sit and wait. His big car will only work when connecting a new laptop in it. And prepare your checkbook.

 

Meus carros, não. Têm carburadores, distribuidores, diafragmas, bobinas e velas, tudo à vista. Sei quando o piripaque é na bomba de gasolina. Sei quando é sujeira da gasolina. Sei assoprar um giclê. Aliás, sei onde fica o giclê. Procure algo parecido na sua injeção eletrônica.

 

My cars do not. Have carburetors, distributors, diaphragms, coils and candles, everything in sight. I know when piripaque is at the gas pump. I know when gasoline is dirt. I know a blowing orifice. In fact, I know where is the orifice. Find something in your fuel injection.

 

Seu carro é um emérito desconhecido sem história ou currículo. Os meus têm 40 anos ou mais, já passaram por muita coisa nessa vida, e quando saíram de uma concessionária, décadas atrás, estacionaram na garagem em forma de sonho realizado. Carro fazia parte da família, antigamente.

 

Your car is unknown without an emeritus history or resume. Mine are 40 years or more, it’s been through a lot in this life, and when they came out of a dealership, decades ago, parked in the garage in the form of dream come true. Car was part of the family past.

 

Ah, mas o meu tem ar-condicionado, disqueteira e controle de tração, dirá você. Sim, mas você nunca terá o prazer de dirigir de vidros abertos e cotovelo para fora da janela, meu rádio toca as mesmas músicas, e não me faça rir com o seu controle de tração. Quantas vezes ele foi necessário?

 

Ah, but mine has air conditioning, CD changer and traction control, you say. Yes, but you will never have the pleasure of driving windows down and elbow out the window, my radio plays the same songs and not make me laugh with your traction control. How many times was it necessary?

 

Além do mais, existe um negócio chamado prazer. Prazer de ter algo que lhe é caro e precioso, mesmo que não valha muita coisa. Carros iguais ao seu todo mundo tem. Vejo aos milhares todos os dias, e nenhum deles tem a cara do dono. Os meus têm. E quando eles quebram, eu mesmo conserto. E eles me agradecem andando de novo, fazendo com que as pessoas sorriam quando passam, fazendo barulho e soltando fumaça.

 

Moreover, there is a thing called pleasure. Nice to have something that is dear and precious, even if not worth much. Cars equal to the whole world has. I see the thousands every day, and neither has the face of the owner. Mine are. And when they break, I fix it. And they thank me walking again, making people smile when they pass, making noise and smoking.

 

Não há nada como um automóvel que faça alguém sorrir….

There’s nothing like a car that makes someone smile…..

 

 

* Flavio Gomes, 41, é jornalista,

 

 
 
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2 respostas para TER UM CARRO ANTIGO OU CARRO NOVO? OLD CAR OR NEW CAR?

  1. Tchê,
    coloquei um link para este teu texto lá no meu site. Mas tem uma parte aí, do texto, com a qual discordo só um pouquinho… é assim: tem um colega meu no trabalho que adora tirar sarro do meu amor eterno por um Del Rey 1988, com o qual vou a toda parte. Neste verão, ele vai ficar em casa porque está sem grana para viajar (e está pagando o carro novo dele). Eu vou viajar, porque não pago mais meu carro… nem IPVA, nem nada, só o seguro obrigatório.

    Tá. mas ele comprou um carro “pelado”. Novo, mas “pelado”. E aí eu vejo no teu texto a pergunta “e o ar condicionado? e isso e aquilo?”

    Pois bem… quem entra nessa enorme banheira da década de oitenta sai sempre com cara de espanto. Direção hidráulica, vidros elétricos, ar condiconado… com a diferença de que, ao contrário de alguns carros mais novos, essas coisas, no meu, não pifam. E tem travas elétricas, estas sim, pifadas (qualquer hora conserto, sem pressa).

    Som? Som é fácil: só comprar o aparelhinho com CD, mp3, ou o que seja, ligar os fiozinhos, enfiar naquela vaga do painel e sair rodando.

    De resto, é isso aí. Eu moro em uma rodovia que é acesso ao litoral gaúcho, e acontece seguido de estarem na estrada carrinhos com um ou dois anos de uso, no máximo, parados no acostamento, a família na volta e o motorista de celular na mão, apavorado. E aí eu passo, calmamente, ao largo, com aquele monstrengo enorme, de linhas quadradas, motor rodando macio, fazendo curvas com um dedo… como se não tivessem passado 22 anos desde que alguém fez isso pela primeira vez neste carro.

    Aliás, essa história de trocar de carro a cada dois anos seria impossível aqui em casa. Minha filha de 4 anos considera o Del Rey como se fosse um pedaço da nossa casa, ou da nossa família. Eu e minha esposa também. E às vezes, relembramos nosso tempo de namoro a bordo de um Fiat Premio que eu fiz a burrice de vender há alguns anos atrás. É como se fosse um ente querido de quem temos saudade, sabe.

    Acho que quase ninguém hoje em dia encara os carros desta forma.

    Eu cresci em uma casa na qual tínhamos um carro durante anos e anos. Meu pai comprou um Passat mais ou menos no tempo em que eu nasci e só o vendeu 12 anos depois, então, literalmente cresci, aprendi a caminhar, falar e escrever viajando de Passatão. Há quase uma década, o pai tem uma Blazer. Enfim. Não somos trocadores contumazes de carros.

    Meu Del Rey… bom, eu posso até comprar outro carro menor e mais econômico para o dia a dia. Mas sempre haverá uma vaga na garagem para esse Del Rey. E pelo jeito, haverá lugar na garagem da minha filha depois de mim.

    • chimbica91 disse:

      e ai fabio tudo bem acredite nos anos 80 eu com mais ou menos 13 ou 14 anos eu entrei em um del rey e fiquei maravilhado com um relogio que tinha no teto, puxa para mim aquilo era o maximo eu ja ouvi historia de um colega que diz que o pai dele quando comprou o primeiro carro da familia ele ficava abrindo e fechando a porta porque ficava olhando aquela novidade em tecnologia no carro a luz de teto 🙂 que era novidade na epoca, caramba isso e muto engraçado pois para crianças de hoje eles nem notam mais isso tenho um golf 2004 ar, direçao, vidro ,trava tenho que confessar que e muito bom dirigir sei tambem que ser der um problema to ferraro pois ja me queimou a caixa de fusivel e so tinha na concessionaria (e olha que procurei) e tive que morrer com uma grana la mas…. meu coraçao bate mesmo e por um carburador de um fusca 1300 ano 1969 o qual me da muito prazer em andar e ate viajar poblema…. da e da muito mais do que o golf mais e claro peças muito mais barato agora o que ta me dando dor de cabeça aqui e tal inspeçao veicular, acredite tenho que desrregular todo o carro para poder passar (colocar uma porcentagem a mais de alcool no tanque atrasar o distribuidor o carro nao anda fica falhando e uma droga) mais apesar de tudo isso so apaixonado por carro antigo tenho muita vontade de ter um bel air e um fordinho o meu fusca e horiginal tudo funciona 99% radio horiginal, nota fiscal, manual, certificado de garantia, etc sou o segundo dono e ja estou com ele a 19 anos abraçoo…

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