HISTORIA DA MOTOCICLETA VESPA

O mais europeu de todos os veículos de duas rodas nasceu na Itália para ser barato, econômico, robusto e, claro, charmoso e elegante. A VESPA marcou uma época e poucos veículos, de duas ou quatro rodas, atingiram os patamares de vendas e a notoriedade mundial que ela alcançou. Era utilizada por pobres e ricos, tornou-se cultura nas mãos dos atores americanos que filmavam na Itália e foi até “atriz”, como no antológico filme Candelabro Italiano (Rome Adventure), de 1962, com Suzanne Pleshette e Troy Donahue.

A história
A história começou quando Enrico Piaggio presidia a empresa Piaggio, fundada pelo pai em 1884 e que se encontrava em ruínas por causa da Segunda Guerra Mundial. A enorme dificuldade, física e financeira que se encontrava toda a Europa, não intimidou Enrico, que resolveu deixar o campo aeronáutico em busca de um novo tipo de veículo, capaz de suprir a necessidade de locomoção básica da população. Uma vez que as estradas estavam em situação precária e os italianos não tinham dinheiro, a solução era um veículo simples, barato e econômico. Na fábrica da empresa quase destruída pelos bombardeiros aliados em Pontedera, na região da Toscana, se encontravam centenas de rodas de trens de pouso de bombardeiros e um grande número de pequenos motores multiuso para o lançamento dos aviões. Estava então esboçada a idéia básica do novo veículo.

Nas mãos de Corradino D’Ascanio, um brilhante e talentoso engenheiro aeronáutico que trabalhava na Piaggio desde 1934, ela concretizou-se, apenas oito dias depois de Enrico ter dado a ordem a ele de projetá-la. A partir da sua larga experiência, ele concebeu algo inédito até então em duas rodas. Para tal, investigou os maiores inconvenientes que uma motocicleta causava aos seus proprietários e procurou corrigi-los no novo veículo. Na época, as motos eram veículos pouco populares, principalmente em virtude de dois problemas: pneus furados e correntes frágeis. O descanso resolveria em definitivo o problema de ficar pelo caminho por causa de um pneu furado. O garfo dianteiro prendia a roda em apenas um lado, o que facilitaria a troca do pneu, o mesmo acontecia com a roda traseira, presa diretamente ao conjunto caixa-motor – um dois tempos de peça única, compacta e que dispensava corrente de transmissão. Ainda num toque de engenhosidade, os aros das rodas (de apenas 8 polegadas de diâmetro) eram constituídos por dois discos parafusados entre si, o que facilitaria a desmontagem do pneu.

 

Correntes para motos eram raras na Itália da década de 50, razão para o uso da transmissão direta. Esta disposição, porém, fazia com que cerca de 70% do peso da motocicleta estivesse concentrado do lado direito, e, conseqüentemente, gerasse instabilidade. Para corrigir a tendência de puxar para a direita (principalmente ao tirar as mãos do guidão), a roda dianteira ficava 8 mm à esquerda do eixo de direção, de modo a gerar um binário oposto ao ocasionado pelo centro de gravidade deslocado. Mesmo assim o novo veículo padecia do seu desequilíbrio inerente. Caixa e embreagem foram montados na manopla esquerda, para que os dois processos nas trocas de velocidades não exigissem retirar a mão do guidão. Era eliminado também o pedal de mudança de velocidade das motos, que marcava e sujava os sapatos.

E novo veículo trazia uma solução para o comando da caixa de velocidades que ainda hoje é usado pelos fabricantes de automóveis como uma inovação: a existência de cabos flexíveis, de aço trançado tipo Bowden. Um escudo frontal protegia as roupas e o próprio condutor da chuva, poeira e tudo o que fosse arremessado pela roda dianteira – e também sua integridade física numa eventual queda. De estrutura monobloco (como a de um automóvel), trazia a seção central bastante baixa, facilitando a subida ao veículo, principalmente para mulheres e pessoas de baixa estatura. Mesmo mulheres de saia podiam conduzi-la. Acabado o desenvolvimento, foram construídos os protótipos. As primeiras 15 unidades deixaram a fábrica da empresa no dia 23 de abril de 1946. Elas eram equipadas com um motor de 98 cm³ com apenas 3 cv de potência e atingiam velocidade máxima de 60 km/h, bons níveis para a época. A caixa de câmbio tinha três marchas e o tanque de combustível comportava cinco litros de gasolina. O consumo de 40 km/l, uma marca bem-vinda numa época difícil como aquela do pós-guerra.

Uma característica marcante do novo veículo é que não tinha piso entre a dianteira e o banco, mas sim duas placas separadas. O novo veículo foi batizado de VESPA em razão ao ronco do seu motor de dois tempos com ventoinha de arrefecimento, que mais parecia um zumbido, característico daquele inseto. Também diz a lenda que, ao vê-la, Piaggio exclamou: “Bello, sembra una vespa” (“Belo, parece uma vespa”), alucinado pela forma do veículo. Rapidamente a VESPA caiu nas graças do consumidor e o seu sucesso foi absoluto e instantâneo. Outros veículos foram criados utilizando a mesma proposta, mas não alcançaram o mesmo êxito que o original. Para tal, a Piaggio não contou apenas com o carisma que o veículo obteve: montou uma completa rede de assistência técnica em todo o território italiano e proporcionou cursos de formação na fábrica para mecânicos. Além disso, o veículo tinha uma relação preço/qualidade extremamente favorável: chegava a qualquer canto da destruída Itália do pós-guerra gastando muito pouco – podia ser usada em qualquer situação, sob qualquer condição. No primeiro ano foram produzidas 2.484 unidades, um sucesso de vendas. Curiosamente, embora tenha sido tentado pintar as primeiras unidades de cores diversas, em pouco tempo, o cinza metalizado foi adotado como cor única

Em 1948 uma nova motorização de 125 cm³ e 4,7 cv de potência foi lançada, e com ela, algumas revisões tecnológicas que se encontram até hoje nos veículos em produção. A mais visível: o assoalho que ocupava agora as duas placas de apoio para os pés. Também eram adaptadas suspensão na roda traseira, pára-lama dianteiro e pequenas alterações na “carroceria”. A velocidade máxima chegava a 75 km/h. Até 1949 já haviam sido produzidas mais de 35.000 unidades, um recorde para uma época tão conturbada. Quatro anos depois o motor era modificado, passando a ter 5 cv, e surgia uma versão utilitária com o farol mais elevado. O famoso modelo GS (Grand Sport) 150, mais esportivo, saiu das linhas de produção em 1955 trazendo um estilo mais moderno, com rodas de 10 polegadas, caixa de câmbio com quatro marchas e uma velocidade máxima de 100 km/h

Na primeira década de vida da VESPA, foram produzidas um milhão de unidades. Nesta época, o veículo já era produzido na Alemanha, Inglaterra, França, Bélgica e Espanha. Em 1962 chegava a GS 160, com 8,2 cv de potência e um visual renovado. Com o tempo, vários clubes de "vespeiros" surgiram para que os admiradores da VESPA fizessem passeios e trocassem informações sobre a sua paixão italiana. Campeonatos esportivos também foram criados, onde os mais radicais colocavam a VESPA no seu limite. A pequena versão de 50 cm³, a última desenvolvida por D’Ascanio, apareceu em 1964. No ano seguinte aparecia a SS 180, de 10 cv, seguida pelas versões Super Sprint 90 (1966), Primavera 125 (1968) e Elestart 50, com motor de arranque elétrico (1970). Finalmente, em 1978, a família PX – com as versões de 125, 150 e 200 cm³. O maior dos motores desenvolvia 12,35 cv e chegou a ser oferecido no mercado norte-americano, na versão Rally. Um caixa de velocidades automática foi introduzida em 1984, sendo a manete de embreagem agora destinado ao freio traseiro.

As crescentes restrições ambientais obrigaram Piaggio a retirar a VESPA do mercado americano em 1985. Nos anos seguintes, as VESPAS praticamente haviam desaparecido totalmente do mercado, a não ser os entusiastas, que mantiveram as clássicas scooter em operação, reconstruindo-as e restaurando-as. Com exceção de um modelo especial para colecionadores, introduzido em 1991, a VESPA só voltou a lançar um novo modelo em 1996, para comemorar os 50 anos da marca. Somente a partir de 2003 a marca reiniciou o lançamento de novos modelos, que mativeram o mesmo charme e elegância em uma reiterpretação muito mais moderna. Atualmente a VESPA tem uma linha de 8 modelos: o tradicional PX; o LX em três versões (50, 125 e 250cc); o Granturismo (125 e 200cc); o potente GTS; além de dois modelos vintage.

Dados corporativos
● Origem: Itália
● Lançamento:
23 de abril de 1946
● Criador:
Enrico Piaggio e Corradino D’Ascanio
● Sede mundial:
Pontedera, Pisa, Itália
● Proprietário da marca:
Piaggio C. S.p.A.
● Capital aberto:
Não
● Chairman:
Matteo Colaninno
● CEO: Roberto Colaninno
● Faturamento: Não divulgado
● Lucro: Não divulgado
● Presença global:
80 países
● Presença no Brasil: Sim
● Segmento:
Motociclístico
● Principais produtos:
Motonetas e scooters
● Ícones:
O design do veículo
● Slogan: I love my world.
● Website:
www.vespa.com

Os slogans
I love my world.
Chi Vespa Mangia le Mele.
(1969)
La Dolce Vita. (anos 50)

A marca no Brasil
A VESPA começou a ser montada no Brasil a partir de 1958 pela Panauto, uma licenciada da Piaggio Italiana, e a inauguração da fábrica coincidiu com a febre mundial da motoneta (scooter), nesta década. O primeiro modelo lançado foi o M3 de 3 marchas, equivalente ao VB1 T na Itália ou VBA em outros países, na cor cinza opalescente e azul metálico (esmalte metalizado azul). Pouco depois, em 1960, saiu o modelo M4 com 4 marchas equivalente ao Touren T4 na Itália. Visualmente igual a M3, tinha a lanterna traseira mudada para o modelo “nariz do papa”. O Vespacar, também lançado este ano, foi muito utilizado para pequenas entregas e comércio de cachorro quente. A Panauto fechou em 1964. A VESPA só voltou a ser montada no Brasil entre 1974 a 1983, disponibilizando em 4 modelos: 50cc, 125cc Primavera, 150 Super e Rally 200.
 

Entre 1985 e 1986, pela terceira vez, a VESPA voltou a ser montada no Brasil, desta vez pela Motovespa. Porém, somente a partir de 1986, até 1990, os veículos eram realmente fabricados em Manaus com índice de até 90% de nacionalização. Foram produzidos os modelos PX de 200 cc nas versões Standard E sem flash de luz alta e sem borracha de proteção nas laterais e no pára-lama dianteiro; e a GT com flash de luz alta, bateria e partida elétrica opcional. A top de linha era a ES EleStart com todos os opcionais. Logo no seu primeiro ano, embalada pelo Plano Cruzado, a VESPA conseguiu suplantar a Honda CG 125 do posto de veículo de duas rodas mais vendido do mercado. A empresa conseguiu produzir a média de 2.5 mil unidades por mês, 50% acima da meta inicial. A Motovespa chegou a ter 300 funcionários na fábrica de Manaus e rede de 140 revendas espalhadas pelo País. A partir de 1987, porém, as vendas começaram a cair e a empresa passou a ter problemas de administração. A produção nunca mais se normalizou e, em 1990, as atividades se encerraram definitivamente no país. A Vespa voltou ao Brasil no ano 1994, e permaneceu até 2000, com o modelo 150 Originale, importado da Índia pela Brandy, empresa de Ribeirão Preto que representa a Piaggio no país. Desde 2004 o representante oficial da PIAGGIO no Brasil é a PVGA, que importa e vende os modelos VESPA.

 

A marca no mundo
Com mais de 16 milhões de unidades vendidas desde seu lançamento, a VESPA comercializa sua gama de modelos em mais de 80 países ao redor do mundo. Os dois maiores mercados da marca são Itália e Reino Unido. Reconhecida como um dos marcos do design de veículos de duas rodas, um exemplar da VESPA está no Museu de Arte Moderna de Nova York, como exemplo da criatividade industrial italiana do século XX.

Você sabia?
Com mais de 120 versões em pouco mais de meio século, VESPA foi um verdadeiro sinônimo de Itália, que por um longo período foi conhecida como o “país da Vespa”. Surgiu até um novo verbo na língua de Dante: vespizzare. Histórias não faltam sobre este charmoso inseto de duas rodas.

As fontes: as informações foram retiradas e compiladas do site oficial da empresa (em várias línguas), revistas (Fortune, Forbes, Newsweek, BusinessWeek e Time), sites especializados em Marketing e Branding (BrandChannel e Interbrand), Wikipedia (informações devidamente checadas) e sites financeiros (Google Finance, Yahoo Finance e Hoovers).

 

 

Leia mais:

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2009/11/vespa.html#ixzz0drh5r5zj

 

 

 

 


 

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