Memória Pulistana “A primeira viagem de bonde elétrico”

bonde A primeira viagem de bonde elétrico em São Paulo com destino á Barra Funda aconteceu no dia 07 de maio de 1900 (foto acima) . O bilhete custava 200 réis. até fevereiro de 1901 a light instalou as rotas para Bom Retiro, Vila Buarque, Brás, Penha e Água branca. Santana a última linha de bondes puxados a burro foi eletrificada em 1908.

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memória paulistana “primeiro serviço de bombeiro na capital paulista”

bombeiro Após um grande incêndio na faculdade de Direito do largo São Francisco , foi criado, no dia 10 de março de 1880, o primeiro serviço de bombeiro na capital paulista. até então, os fogaréus da cidade eram apagados por integrantes da policia. Na foto acima, de 1935 um grupo de soldados recebe instruções sobre como realizar um salvamento na pça Clóvis bevilácqua, no centro. vítimas presas em andares altos tinham de deslizar até o chão por uma lona. hoje são usadas escadas mecânicas,plataformas e cabos.

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memória Paulistana ” bairro da Mooca”

padaria mooca Fundada em agosto de 1556 por um grupo de jesuítas, o que viria a ser o maior bairro da Mooca só começou a ganhar as feições atuais no fim do século XIX. foi quando a região recebeu im grande número de imigrantes italianos e passou a concentrar fábricas de massa. a foto da década de 30 mostra uma cena que se repetia todas as manhãs; carroças saíam para entregar pães e leite aos moradores da região.

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Memória Paulistana “dirigível alemão Hindenburg”

dirigivel Construído em 1936, o dirigível alemão Hindenburg causava furor por onde quer que passasse. Com 245 metros de comprimento e duas suásticas na cauda, era o maior objeto voador fabricado até então. Quando o dirigível esteve em São Paulo, o empresário João Baptista Raia, fundador da rede de farmácias que leva seu nome, subiu com a mulher e os filhos á torre de sua casa, na Alameda Santos, para vé-lo. foi uma oportunidade rara. Em maio de 1937, o Hindenburg explodiu ao pousar perto de Nova York, matando 36 pessoas.

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UM MURAL PARA SÃO PAULO SE ORGULHAR…

Eu como todo bom paulistano me surpreendo a cada dia com as surpresas que essa cidade nos apresenta, gosto de postar fotos antigas da cidade, de pontos turístico e conhecido da cidade postar historias interessantes da nossa cidade, hoje me deparei com esse artigo do site “são Paulo antiga” se referindo a um mural muito bonito em um prédio na Mooca, e não podia deixar de postar aqui a historia dele para apreciação de todos nos;

São Paulo é uma metrópole fantástica, que se revela surpreendente a cada esquina. E foi passeando de carro pela Avenida Paes de Barros, no bairro da Mooca, que me deparei com um magnífico mural sobre São Paulo, totalmente desconhecido do grande público. Mas antes de mostrar, vamos falar um pouco sobre como foi a descoberta.

edificiosaoraphael

O edifício acima passa despercebido pela maioria das pessoas que trafegam pela Avenida Paes de Barros. É só mais um prédio entre tantos outros desta movimentada avenida. Porém, um dia parado no semáforo, observei que havia o que parecia ser uma grande pintura no corredor que leva a garagem. O semáforo abriu, os carros que estavam atrás começaram a buzinar e tive que seguir meu caminho.

Entretanto, na mesma semana, voltei ao local caminhando e observei que ali não havia apenas uma pintura. Existia, isso sim, uma verdadeira obra de amor por São Paulo. Toquei o interfone e pedi ao porteiro para conversar com o(a) síndico(a) e conhecer o espantoso mural particular.

edificiosaoraphael

Fui gentilmente recebido pela síndica do edifício, Sra. Sonia Elias Vidal que prontamente me contou um pouco da história deste enorme painel de azulejos, colocado dentro de um edifício residencial.

Inaugurado em 1959, o Edifício São Raphael é um dos mais antigos desta região da Mooca. Foi erguido por um comerciante português que adorava a região e a cidade. Ao construir, o dono da obra quis colocar no edifício algo que mostrasse aos moradores e visitantes o orgulho se ser paulista. Para isso, ele contratou o mais famoso artista de pintura em azulejos da época, o Atelier Artístico Moral, cujas obras estão espalhadas pela cidade de São Paulo e por todo o interior paulista.

atelierartisticomoral

Trata-se de um mural onde a mulher paulista divide a obra em duas épocas, à esquerda a São Paulo antiga cuja inspiração é uma das famosas aquarelas de José Wasth Rodrigues mostrando a Praça da Sé em 1859, e do lado direito a São Paulo moderna da época da inauguração do prédio, com uma imagem mostrando o Viaduto Santa Ifigênia e seus arredores.

Esta magnífica declaração de amor por São Paulo está muito bem cuidada pelo Edifício São Raphael, cuja síndica dá uma atenção toda especial a obra para que ela mantenha-se sempre limpa e bem preservada. São Paulo sempre nos surpreende, não é mesmo ?

Abaixo o mural visto de frente, clique na foto para ampliar para o tamanho grande:

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autor do texto acima: Douglas Nascimento

site http://www.saopauloantiga.com.br

 

 

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Memória paulistana

001 Entre  os séculos XVI e XIX, o caminho conhecido como estrada dos pinheiros atravessava um grande brejo. Por volta de 1895, quando o bairro de Cerqueira César foi loteado, a avenida ganhou o nome de Dr. Rebouças, homenagem ao engenheiro Antonio Rebouças, que construiu a estrada de ferro que vai de Campinas a Rio Claro. As primeiras obras de urbanização no local começaram em 1935 e causaram menos polêmica do que as atuais, apesar de terem demorado mais de dois anos. A foto acima é um retrato desse período. Está no livro São Paulo, 1860-1960

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HISTÓRIA DO MAPPIN

Mappin300   Todo final de ano era igual, ficava ansioso para ir ao Mappin que ficava na Praça Ramos de Azevedo em São Paulo, ao entrar no elevador, o ascensorista anunciava a cada andar os produtos que poderíamos encontrar, eu é claro, queria ficar no andar dos brinquedos. Lembro até hoje o seu inconfundível jingle “Mappin, venha correndo, Mappin, chegou a hora Mappin, é a liquidação”.

Mappin Praca Ramos A história do Mappin teve inicio na Inglaterra, no século XVIII, quando as famílias de comerciantes Mappin e Webb inauguraram na cidade de Sheffield uma sofisticada loja. Mais tarde se mudaram para Londres e em seguida,  No início deste século passado , a já tradicional rede abriu uma filial em Buenos Aires, onde a colônia britânica era numerosa. Logo, voltou os olhos para o Brasil. Em 1912, surgiu em São Paulo a Mappin & Webb, sociedade da família Mappin e de Henry Portlock especializada em cristais e pratarias. Com a sede consumista das famílias dos barões do café, cujos lucros eram crescentes, os sócios se juntaram a outro inglês, John Kitching, e criaram a Mappin Stores, embrião do atual Mappin. Inaugurada em 29 de novembro de 1913, no número 26 da rua XV de Novembro, em frente à irmã Mappin & Webb, a moderna loja causou furor no elegante Triângulo, formado pela XV de Novembro, São Bento e Direita, centro comercial, social, político e cultural da Capital naquele período. o Mappin foi um lugar bastante requintado, vendia apenas produtos importados e oferecia serviços como salão de chá e barbearia à população mais nobre de São Paulo, foi o primeiro a introduzir vitrines de vidro na fachada para atrair os consumidores. Foi lá, por exemplo, que a pintora Anita Malfatti fez sua primeira exposição, em 1914,  já em 1919, a loja se mudou para a Praça do Patriarca e em 14 de abril 1939, quando os ingleses atravessaram o viaduto do Chá, que acabara de ser concretado, e inauguraram o tradicional ponto da praça Ramos, alugado da Santa Casa de Misericórdia. O Triângulo ficou para trás e passou ser chamado, depois, de Centro Velho. A rua Barão de Itapetininga, que tangencia o prédio, virou a nova passarela da moda e da elegância. “As pessoas marcavam seus encon­tros embaixo do relógio do Mappin. Era uma loja de artigos elegantes, finos, que vinham quase todos da Europa. Ainda tenho na mente um sapato inglês, de solado reforçado, sola de borracha, que acabou virando sinônimo de São Paulo. Quem ia ao Rio com esse sapato era imediatamente identificado como paulistano”, recorda o crítico de arte e professor de Teatro e Literatura da USP Décio de Almeida Prado, de 81 anos.   Em 1929, a crise do café abalou a economia de São Paulo, fazendo com que os paulistanos só pudessem comprar através de crediário e no início da década de 30, o Mappin inovou colocando etiquetas com preços nos produtos em suas vitrines para atingir as comadas mais populares o tornando-se assim o precursor do crediário.

1928.7.3-mecano-brinquedo-criança-mappin2 Instruir, deleitando… Mecano, o brinquedo instrutivo por excelência. Brinquedo inglês de altos fins instrutivos, é o entretenimento ideal para as inteligências precoces. É uma série de peças soltas, parafusos, rodas, eixos e as respectivas ferramentas. Ligadas convenientemente, com estas peças obtêm-se interessantes construções de engenharia mecânica hodiernas, tais como: pontes, viadutos, guindastes, locomotivas, aeroplanos, arranha-céus, etc. Preços consoante o tamanho e composição. Peçam demonstrações práticas ao nosso departamento para rapazes”.

3 de julho de 1928.

MAPPIN 3      1940.12.24-presente-natal2       No início da década de 1950 devido às dificuldades que os antigos controladores tinham em se adaptar à nova realidade econômica, o empresário cafeeiro Alberto Alves Filho assumiu a operação da empresa substituindo os produtos brasileiros pelos importados, mudou a razão social da empresa para Casa Anglo-Brasileira S/A (depois transformada em holding do grupo) e fez a loja ficar conhecida por toda a população de São Paulo quando patrocinou o noticiário Mappin Moviotone pela TV Tupi de São Paulo, fez do Mappin uma empresa inovadora, aumentou o número de lojas, aperfeiçoou o sistema de pagamento por crediário (1953) e montou uma financiadora para financiar seus clientes, em 1972 criou o sistema de crédito automático e abriu o capital da Casa Anglo Brasileira S/A . Ele permaneceu no comando do Mappin até a sua morte, em 1982.

Com a morte de Alberto Alves Filho a rede de magazines passou a ser comandada por Cosette Alves que com a ajuda do executivo, o economista Carlos Antônio Rocca, continuou a expansão da empresa oferecendo uma grande variedade de produtos e abrindo várias lojas.  Em 1983 foi considerada a empresa do ano e em 1984 uma pesquisa do Gallup revelou que 97% dos paulistanos conheciam o Mappin e 67% já haviam comprado em suas lojas; neste mesmo ano ela foi eleita pela revista Exame deu ao Mappin o titulo de melhor empresa de varejo nos últimos 10 anos.

osAlves O grande salto da empresa, no entanto, veio em 1950, quando os ingleses venderam o controle acionário para o advogado Alberto José Alves e seu filho, o negociador de café e também advogado Alberto Alves Filho. Sob o comando deste, a empresa mudou o seu perfil. “Um dia, ele estava olhando para baixo e perguntou porque as pessoas não entravam em sua loja. Pensou um pouco e mandou arrancar as portas giratórias: não queria que nada impedisse a entrada do público”, conta o vendedor Antônio Cassiano. Alves Filho mandou também retirar os tapetes verdes do térreo. O elitismo cedia espaço a uma estratégia que tinha por objetivo atrair os 2,1 milhões de habitantes da cidade com produtos a preços acessíveis. A primeira tacada foi a promoção dos aparelhos Admirali. Com forte propaganda, o Mappin convidava os consumidores a assistirem “experiências de programa de televisão” no gabinete-estúdio, sem qualquer compromisso de compra. Logo a seguir, outra idéia brilhante: “Compre hoje no Mappin e pague em dez vezes”. O financiamento sem juros fez com que o lucro líquido quase dobrasse em 1951. Seis anos depois, a ruptura definitiva com o passado aristocrático: a Grande Venda da Indústria, que se repetiria por anos a fio. Nas décadas de 60 e 70 as vendas estouraram. Foi um período marcado por fortes promoções para datas como os dias das Mães e dos Namorados e, mais tarde, pelo lançamento do crédito automático. Tempos memoráveis em que 60 mil pessoas passavam todo dia pela loja da praça Ramos, das 8h à meia-noite. Aos sábados, o número pulava para 200 mil. “O caixa principal tinha 20 empregados contando dinheiro”, conta Cassiano. Artífice de todo esse processo, Alberto Alves Filho morreu em 1982, aos 69 anos. Sua viúva, Sônia Cosette Domit Alves, entregou a gestão donegócio a um executivo, o economista Carlos Antônio Rocca. A empresa passou por um processo de expansão física, com a inauguração de diversas lojas,  no Itaim, ABC e em shopping centers, e a compra, nos anos 90, de seis pontos de venda da extinta rede Sears. O negócio continuou sólido, mas sofreu com a diversificação das gôndolas dos supermercados, que passaram a concorrer diretamente com as lojas de departamentos, e a abertura da economia brasileira, a partir de 1990, responsável pela chegada ao País de gigantes do varejo internacional, como os grupos Wall Mart e J.C. Penney, dos Estados Unidos, e Sonae, de Portugal

lojacheia Os negócios cresceram e surgiu o Grupo Casa Anglo composto pelas empresas Mappin Lojas de Departamentos S/A, Companhia Financiadora Mappin São Paulo Credito, Financiamento e Investimento vendida para o Banco Itaú BBA em 1995 ,  Banco Mappin S/A comprado pela GE , Mappin Administradora de Consórcios Ltda. , Previdência Privada Mappin e Mappin Veículos,  concessionária Chevrolet a empresa.

Em 1991 adquiriu da Sears cinco lojas localizadas em Shoppings , sendo que duas estavam em Campinas, em 1993 inaugurou em Santos a TV Mappin uma loja onde os clientes escolhiam as mercadorias através de terminais multimídias, criou nesse mesmo ano o Catalogo Mappin Store Company para a venda de produtos importados.

Em 1995 o Mappin comercializava em suas lojas 85.000 itens como eletrodomésticos, eletrônicos, cama, mesa e banho, bazar e utilidades, confecções, moveis e lazer e alguns produtos de mercearia como balas, bolachas e chocolates.

Mas a situação começa a mudar quando em 1995 a empresa anunciou o maior prejuízo de sua história, no valor de 19,46 milhões de reais, neste mesmo ano o Grupo vende a Cia Financiadora ao Itaú-BBA por R$ 50 milhões. Em agosto de 1996, época da compra do Mappin, cada lote de 1000 ações da Casa Anglo valia 34 reais. Quando o Mappin já estava em dificudade, o preço havia batido em 14,49 reais rata-se de uma queda de 57,4%.

A empresária Cosette Alves não pretendia vender o Mappin, mas Ricardo Mansur insistiu, fez vários comentários sobre a maravilha que era o Mappin, deu sugestões, contou os projetos que teria para a companhia caso a comprasse. “Ele já conhecia o Mappin como se fosse dele e deixava claro a todo o momento que queria comprá-lo”, diz Cosette Alves em uma de suas entrevistas para a Revista Veja. Mansur deu opinião sobre as maneiras que tinham as funcionárias do Mappin ao atender as clientes, falou sobre produtos que faltavam em determinados setores. Depois de uma infinidade de conversas, os dois acertaram a venda do Mappin em 1996 por 25 milhões de reais — 28% de entrada e o restante em três anos sendo que a ultima parcela foi honrado pelo Banco Bradesco devido à falência do Grupo Mansur.

O Mappin nessa época contava com 12 lojas entre elas estavam as da Praça Ramos (pertencente à Santa Casa de São Paulo), Rua São Bento, Av. Ipiranga, Shopping Mappin ABC, Shopping Center Norte, Shopping West Plaza, Shopping Morumbi, Santos, Campinas e Shopping Jardim Sul era uma empresa que, se não estava em situação excelente, não tinha grandes problemas, o forte da companhia era vender eletrodomésticos, televisores, roupas, louças, panelas e com os primeiros efeitos do Plano Real e a onda de consumo, o Mappin prometia muito lucro.

O projeto de Mansur para o Mappin era transformá-lo numa rede de franquias. Ele pretendia abrir quarenta lojas, espalhadas pelo país, em dois anos. Em 1999 nenhum dos planos elaborados deu certo e o Mappin teve a sua falência decretada, existiam na época 300 pedidos de falência contra a empresa, devia na praça de cerca de R$ 1,2 bilhão.
A venda do controle acionário da empresa trouxe consequências drásticas para a empresa, a união de suas operações com a Mesbla não beneficiou em nada o Mappin, pois o seu controlador apenas implantou crises e não conseguia resolve-las, conta-se que as lojas eram esvaziadas para abastecer a Mesbla.

fimdelinhaÉ um desalento encontrado em todos os cantos do prédio da praça Ramos. Os estoques, no 11° e 12° andares, estão limpos. Ou melhor, num deles há um amontoado de entulho. “Não temos dinheiro nem para mandar retirar esse lixo”, revela o vendedor Antônio Cassiano, de 64 anos, que há 44 trabalha na casa, atu­almente na venda de TVs. O fotógrafo da Revista JÁ pede que sejam acendidas as luzes, mas nem isso é possível. “Não tem. Estamos usando as lâmpadas daqui para repor as que queimam na loja”, desculpa-se.

O absurdo contrasta com os tempos em que Cassiano atendia fregue­ses de famílias milionárias, como os Cunha Bueno e os Jafet. ” íamos até as mansões, pegávamos as medidas dos pés e encomendávamos os finíssimos sapatos da Lotus, na Inglaterra. Depois, entregávamos os calçados aos clientes”, recorda. Tudo memória. Hoje, no setor do veterano vendedor, há um cantinho onde se lê “ponta de estoque”. Ali estão à venda mercadorias estragadas, coisas que nem bazares de caridade venderiam, como cafeteiras sem as jarras de vidro. Vale tudo para laçar os poucos consumidores e tentar garantir o salário do mês. Nessa toada, calculam os funcionários, o Mappin não resiste mais 10 dias. É vender o pouco que restou e abaixar as portas. Um drama que é creditado ao espírito aventureiro do empresário Ricardo Mansur, que em 96 assumiu o controle da Casa Anglo Brasileira (vejao Coveiro do Mappin). “Não acredito nesse pesadelo. O que destruiu o Mappin foi a má administração”, revolta-se o despachante Vicente Guastelli Netto, de 84 anos, que começou a trabalhar na empresa em 28 de novembro de 1932. Naquela época, a casa era uma requintada loja de departamentos com o nome Mappin Stores e estava instalada no edifício da condessa Pereira Pinto, na elegante praça do Patriarca, Centro da Capital. Tudo a ver com a origem do negócio, que surgiu na Inglaterra, em 1774, e abastecia de pratarias, porcelanas, cristais e artigos finos a nobreza da então maior potência do planeta

choro decadenciaformigueiro humano agora são só lembranças. No mesmo pavimento onde estão expostas as singelas toalhinhas, o silêncio reina no outrora concorrido setor de crediário. Só é quebrado pelo choro convulsivo das caixas Luzia Santos, de 36 anos, e Raimunda Fernandes Alves, de 40, que desabam quando o repórter e o fotógrafo da Revista JÁ entram na sala. Suas lágrimas são o retrato do desânimo e da tristeza que tomou contados cerca de 4.150 funcionários dos 13 pontos de venda Casa Anglo Brasileira S/A, holding que controla aquela que foi a maior loja de departamentos do País. “Estamos sofrendo porque nos acostumamos com o tempo em que as pessoas nem conseguiam entrar na loja”, lamenta Luzia.

O coveiro do Mappin

mansur Não foi a concorrência, entretanto, que derrubou o Mappin. Em 96, Cosette Alves vendeu a empresa a Ricardo Mansur, que iniciou uma série de aquisições espetaculares, incluindo a Mesbla e o Banco Crefisul. Chegou a ser apontado como Rei do Varejo, mas hoje está mais para um rei Midas com sinal invertido, ou seja, transforma tudo o que toca em sucata. Depois de acumular dívidas de R$ 1,1 bilhão, foi afastado do empreendimento. Os acionistas chamaram, então, o “socorrista” José Paulo Ferraz do Amaral, ex-presidente das Lojas Americanas e da

Mesbla. Nos últimos dias, ele viveu em intermináveis reuniões, passando o chapéu em busca de recursos para repor os estoques da rede. Amaral queria levantar R$ 100 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fundos de pensão e instituições financeiras privadas. Recebeu diversas negativas e correu contra o relógio, pois nos bastidores da Justiça comenta-se que não demora para ser decretada a falência da holding, pedida por diversos credores. “A gente reclamava do movimento intenso e agora sabe que aquela época era superlegal. Hoje (1999), quando um cliente passa no caixa, dáva vontade de pular o balcão e dar um beijo nele”, diz, aos prantos, a caixa Luzia Santos. Economistas e administradores de empresas têm, com a agonia do Mappin, uma boa oportunidade para demonstrar herméticas teorias que, na verdade, podem ser resumidas em falta de visão ou pura irresponsabilidade empresarial. Não há outra explicação para a “obra” do empresário Ricardo Mansur, de 51 anos, que se tornou o coveiro de um grande negócio pilotado competentemente por Alberto Alves Filho de 1950 a 82. Depois de muito assédio, ele assumiu o controle do tradicional magazine, em 96, por US$ 25 milhões, sendo 7% à vista e o restante em três pagamentos anuais. Não parou por aí e, no ano seguinte, arrematou a endividada Mesbla. Seu fôlego começou a fraquejar.

A situação das duas empresas ficou ainda mais complicada no fim de 1998, quando Mansur tentou captar R$ 600 milhões emitindo títulos. Quebrou a cara, pois a crise da Rússia, que declarou moratória, provocou pânico no mercado internacional, levando o governo brasileiro a jogar a taxa de juros na estratosfera, com o objetivo de segurar no País recursos de investidores estrangeiros. Como a remuneração oferecida pelos papéis do empresário era muito inferior, ele só conseguiu amealhar R$ 180 milhões, dos quais R$ 120 milhões de uma empresa de seu próprio grupo. Ou seja, só R$ 60 milhões de dinheiro novo.

No primeiro trimestre de1999, veio a derrocada de Mansur. Em março, o Banco Central liquidou o Banco Crefisul, que ele adquirira em 96, e mais quatro empresas financeiras de seu conglomerado. Em abril, foi afastado do comando da Mesbla e do Mappin. Caía por terra o mito do Rei do Varejo,que, de uma simples papelaria na rua São Bento, montada em 1966, chegou a controlar um império econômico, embora de vida curta.

Ainda abalado emocionalmente pelo retumbante fracasso, segundo amigos, o empresário exilou-se por vontade própria em Londres, onde é dono de uma mansão. Seus bens no Brasil, incluindo outros dois palacetes, em São Paulo e Indaiatuba (SP), ficaram indisponíveis, por decisão do governo, com a liquidação do Crefisul. Mesmo perdendo a parada para seus credores, o que é improvável, continuará comendo e morando muito bem, ao contrário de muitos dos 9 mil funcionários da Mesbla e do Mappin.

Créditos: Antonio Carlos Silveira, Revista JÁ No.135, 06/06/1999, blog falando de gestao. BLOG ESTADÃO

ALGUMAS PROPAGANDAS DE EPOCA:

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FAMOSO JINGLE DO MAPPIN

ANTIGOS COMERCIAIS DO MAPPIN:

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